Marketing é função de primeiro nível nas autopeças

Empresas o elegem como peça chave na integração de estratégias.

A partir da esquerda: Carlos Abdalla (Bosch), Michel Haddad (ZF) e Thomas Püschel (MWM Motores Diesel) (Fotos: Luis Prado)
Integrar as atividades de marketing e alinhá-las às estratégias de negócios, tanto locais como globais, é peça-chave para alcançar os resultados esperados pelas empresas de autopeças também em tempos mais desafiadores, concordam os representantes da Bosch, Carlos Abdalla, da MWM Motores Diesel, Thomas Püschel, e da ZF, Michel Haddad, no debate “O Reposicionamento de Autopeças em Marketing”, durante o III Fórum de Marketing Automotivo realizado por Automotive Business na segunda-feira, 28.

“Por meio de avaliações em conjunto com as áreas de inteligência de mercado e pesquisas, conseguimos identificar novos nichos de atuação e oportunidades para novos negócios e novos produtos e essa nova integração, no nosso caso, ocorre em conjunto tanto para o mercado OEM quanto para o de reposição ”, relata Püschel, diretor de vendas e marketing da MWM Motores Diesel .

Por parte da ZF, o planejamento local, assim como o da MWM, é estritamente alinhado com o marketing global, embora em ambas as companhias a atuação local tem total autonomia de decisão e desenvolvimento, dada as especificidades e particularidades do mercado brasileiro e da região latino-americana.

“Este alinhamento também convergiu com a aquisição que fizemos da TRW, a fim de expandir nosso portfólio. Sendo um negócio recente, o marketing ainda não fica no primeiro plano com relação à integração global das áreas entre as duas empresas, mas é um processo natural”, explica Michel Haddad, gerente regional de marketing da ZF América do Sul.

Segundo Abdalla, gerente de marketing e comunicação corporativa da Bosch, a definição é global quando o assunto é orçamento e, no caso da empresa, depende da reputação e participação da marca naquele mercado: “Onde ela não está tão presente, com um share abaixo do esperado, é onde a matriz decide aplicar os maiores recursos, e onde já há consolidação de participação, o orçamento é mantido, embora sejam levadas em consideração os lançamentos e ações específicas, quando necessárias”.

O executivo expõe que mesmo com o mercado em baixa, houve leve crescimento do orçamento destinado ao Brasil este ano, mas não há expectativa de crescimento para 2016. “Não houve corte significativo, mas ficaremos estáveis, dando mais atenção às ações prioritárias enquanto demais orçamentos ficarão para segundo plano”, aponta.

No caso da ZF, a expectativa é de que para o ano que vem o orçamento para marketing tenha grande redução: “Isso nos coloca em uma nova posição de restringir verbas, rever ações, fazer o que é necessário com menos sem perder o foco do médio e longo prazos”, indica Haddad.

Neste contexto, a empresa também passa a considerar de forma mais forte sua participação no setor de veículos leves, a partir da integração global com a TRW, cujo negócio está 90% focado no segmento, mesmo índice de participação de veículos comerciais pesados na atuação da ZF.

 

Fonte: SUELI REIS, AB