Financiamento de carro zero cai 25% neste ano

Fortemente impactado pela crise econômica, o Grande ABC sente mais a retração nos financiamentos de veículos do que outras regiões do Brasil. As vendas a prazo dos zero-quilômetro recuaram 25% nas sete cidades de janeiro a agosto, totalizando 48.579 unidades, 16.183 menos do que no mesmo período de 2014. No País, por sua vez, a retração foi de 20%, somando 1,61 milhão de veículos novos pagos com crédito. Os dados são de levantamento da Cetip, empresa que tem base de dados de operações de crédito na área automotiva.

Considerando o financiamento de novos e usados, a queda na região no acumulado do ano ainda é maior do que no restante do País. No Grande ABC, o recuo foi de 17%, sendo 25% nos zero-quilômetro e de 2,4% nos usados. Em todo o Brasil, as vendas a prazo diminuíram 11% ante o mesmo período de 2014, com redução de 20% em contratos para veículos novos e 3,2% em usados.

De acordo com os dados da Cetip, foram comercializados com crédito nas sete cidades nos primeiros oito meses deste ano 79 mil veículos, somando autos leves (automóveis e picapes), motos, pesados e outros (categoria que inclui implementos e carrocerias), contra 95.957 em igual período do ano passado.

“Era de se esperar, não me surpreende. O grande foco do problema (da economia) está no Grande ABC, estamos no olho do furacão”, afirma o presidente do Sincodiv-SP (Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos no Estado de São Paulo), Octavio Vallejo.

Ele se refere às demissões e ameaças de cortes nas montadoras – como na General Motors, que quer mandar embora mais 650 funcionários em São Caetano –, além da insegurança gerada por instrumentos como lay-off (suspensão temporária de contratos de trabalho) e PPE (Programa de Proteção ao Emprego), como observados nas fábricas da Mercedes-Benz, Volkswagen e Ford e em São Bernardo. “Com o receio de perder o emprego, as pessoas pensam duas vezes antes de entrar em financiamento”, avalia.

De forma geral, a queda das vendas de carros a prazo tem relação com a retração da economia, assinala o professor da FIA (Fundação Instituto de Administração) Carlos Honorato. “Somado a isso, as montadoras, que ganharam dinheiro nos últimos anos com incentivos tributários (como a isenção do IPI – Imposto sobre Produto Industrializado), não têm sinalizado movimento de redução do lucro”, assinala. Ele completa: “Ou o crédito é caro ou o valor da entrada (nas compras com juros baixos) é elevado”. Porém, ele acredita que, se o consumidor tiver dinheiro guardado, pode ter boas oportunidades no fim do ano, já que as fabricantes estão com estoques cheios e devem fazer promoções.

CAMINHÕES – O principal tombo nas vendas financiadas no Grande ABC ocorre nos veículos pesados, segmento em que a retração gira em 52%. No caso dos negócios com zero-quilômetro, o impacto é ainda mais significativo na região: redução de 61%, enquanto com usados houve ligeiro aumento, de 3%. Em todo o País, a redução geral é de 29,4%, com diminuição de 50,2% no número de contratos de novos e queda de 6,2% no de segunda mão.

Polo automotivo, a região também concentra, além de fábricas de montadoras e autopeças, grande número de transportadoras, que adiam a decisão de renovar a frota, nesse cenário de crise, também pela menor demanda, segundo os especialistas.

 

Fonte: Leone Farias, Diário do Grande ABC